quinta-feira, 14 de julho de 2011

COMO SE FAZ UM RITUAL DE JUREMA?

Tenho andado por aí, tentando descobrir um pouco mais sobre a nossa amada Jurema. Porém tenho às vezes me entristecido bastante com muitos comentários que venho observando sobre a forma correta de se fazer Jurema, Umbanda ou Candomblé. Sou partidário do meu amigo Manoel Lopes, la do nucleo Mata Verde, em Santos - SP, quando fala da estrutura organizacional dos terreiros de Umbanda. Segundo sua brilhante percepção, os terreiros não são diferentes porque estão certos ou errados, e sim têm suas diferenças baseadas nas influencias que cada dirigente recebeu ao longo da sua busca espiritual. Obviamente que todos seguem um mesmo padrão de objetivos, mas os caminhos são por demais diversos, porém levando ao mesmo fim.
Manoel Lopes nos  fala ainda da estrutura hierarquica da Igreja Católica, onde existe um Papado, depois um colégio de Cardeais, Bispos, Padres, até poder chegar aos fiéis, fazendo com que a doutrina seja vertical. Demonstra também o espiritismo, que não tem uma centralização organizacional, mas tem uma doutrina (escritos diversos deixados por Kardeck) que faz com que o núcleo espirita siga aquela forma de trabalho.
Na Umbanda, não existe essa doutrina nem essa estrutura hierarquica, daí cada terreiro segue de acordo com as experiencias de cada dirigente, físico e espiritual. Fazendo com que, apesar de divergirem em liturgias e formas de organização, cheguem à mesma finalidade.
No Candomblé temos os maiores defensores ferrenhos de seus ritos, pois dizem que na sua casa é que se faz corretamente. Ora, como podem afirmar tal fato se o Candomblé como o conhecemos nasceu em solo brasileiro, dentro das senzalas e com uma mistura incrível de nações negras? Nem na África existe um candomblé parecido com o que se tem aqui. Então? Quem é o certo e quem é o "marmoteiro"? Acredito que se todos trabalham com o culto aos Orixás (Inkicies, Voduns ou como cada um chame), todos estão certos, de acordo com suas experiencias, que nada mais são do que resquicios trazidos na memória de porões de navios negreiros.
A mesmissima coisa acontece com a Jurema, sendo ela um culto que mescla pajelança, magia européia e magia africana, como pode ser igual em toda casa? E não venham os puritanos me dizer que a "sua Jurema" não tem um desses elementos, pois se assim fosse não seria Jurema. Num país de proporções gigantes como o Brasil, será que todos os índios que aqui habitavam faziam suas magias da mesma forma? Desde lá da Barra do Oiapoque até o Arroio do Chuí? E o tamanho da Europa? Da qual tivemos colonizações maiores e menores, mas de todos os cantos, mesmo asim é a Africa.
Minha Gente, vamos nos unir em nome da nossa cultura e não ficar querendo um puritanismo que não existe em religião nenhuma no mundo. A Jurema é a nossa força e não o nosso palanque de desavenças.

3 comentários:

  1. Suas ideias são a pura verdade, embora que a maioria dos Juremeiros tendem a Misturar cultos das etnias Tupi ou Guarani com cultos africanos, contudo sabemos que os povos da etnia Tupi ou Guarani abraçavam todas as religiões, por isso o culto a Jurema está muito africanizado. Mas ainda existe alguns poucos grupos que buscam a originalidade do culto a Jurema.

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  2. a jurema não tem meio termo é pura energia

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